5 de abril de 2010

O inesperado

em meio à tantos erros e acertos, a vida não deixa de exigir.
(minha autoria)...

é tão paradoxal. As vezes eu a amo, as vezes eu a odeio e sempre quando isso acontece, lembro-me de uma frase histórica do governo Médici na história do Brasil. Brasil: Ame ou deixe-o.
A vida também é assim. Amar ou deixá-la. Por isso que todos optam por amá-la incondicionalmente, cada um a sua maneira, cada um a sua essência, cada um a sua magnitude.

28 de março de 2010

Medo da eternidade




Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas.

Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.

- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.

O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

Clarice Lispector

19 de março de 2010

5 cabeças em Manaus!

Depois de encerrarmos a temporada do VAC que foi um sucesso, casa cheia, crítica positiva, viajamos para Manaus. Apresentamos no Teatro Amazonas para a maior platéia que já tivemos em toda nossa pequena estrada. 700 pessoas lotaram aquele teatro mágico e nossa cena surgiu do chão até alcançar o nível da platéia. Foi tão legal!

Algumas coisas boas de Manaus

* Debate no dia seguinte
* Sandra Coverloni e Heldér
* Rio Negro
* Sessão a la Vogue no camarim
* cortes ousados a la Saulo, Mari e Lú
* Galera de Fortaleza, Manaus, Sampa, Rio, Salvador
* Patrícia, Rafael e Darlei direto de Curitiba (bom revê-los)
* Encontros a meia noite na piscina decadente do nosso hotel (aff)
* o peixe no almoço e no jantar
* cupuaçu e cajá





eu contemplando o Rio Negro (fantástico!)

Mostra de Rascunhos 2010



Acontece neste sábado no Galpão Cine Horto a mostra de rascunhos das cenas concorrentes ao projeto CENA-ESPETÁCULO. Estou participando da programação com a cena "CIDADE CIRCULAR", a segunda da noite. Serão doze cenas no total. As portas se abrem as 19hs e a entrada é franca.

programação completa no site:
http://www.galpacinehorto.com.br/


CIDADE CIRCULAR
DIREÇÃO: Coletiva
DRAMATURGIA: Julieta Dobbin
ELENCO: Julieta Dobbin, Mariana Câmara, Saulo Salomão
ILUMINAÇÃO: Ronaldo Jannotti
TRILHA SONORA: Leonardo Cunha
CENÁRIOS E FIGURINOS: O grupo

SINOPSE: Uma cidade circular, onde sempre se retorna ao lugar de partida, habitada por três personagens. Essa peça é uma alegoria de sentimentos e comportamentos humanos

11 de março de 2010

Cidade circular ou Povoado do redondo

Em uma mesa de bar, estávamos nós 4, eu, Julieta, Léo e Saulo. Lá cada um de nós colocamos os nossos desejos e chegamos juntos a um único. A Cidade Redonda. Logo depois agregamos mais duas pessoas, Ronald e Marcelo e juntos nós seis passamos a comungar da mesma idéia ciclíca. Agenda, reuniões, criações, casa da Mari, casa da Juli, casa do Saulete, mas nunca sem perder o fio da meada.O resultado? saiu na sexta dia 05 de março, agora somos uma das 12 cenas que irão dar a cara à tapa neste processo de observatório de criação.

Dia 20 de março as 19hs no Galpão Cine Horto - entrada franca

Venha circular com a gente!

19 de fevereiro de 2010

Silêncio na cidade circular

O comeco da cidade. Um homem que corre, a mulher que espera e a outra que estoura baloes e os vende no centro da cidade. Somos nós três, tentando colocar em prática as ideias lúdicas de dois encontros e uma agenda cheia de ensaios. Nosso próximo projeto...

E ele continua lindo!

Pois é, foi preciso voltar. Aliás, a vida continua né? e deixo para trás aquele mar gelado, composto de sua areia branca, com uma leve brisa no fim da tarde, que chegava para amenizar o calor de 40 graus. Esse é o Rio e ele continua lindo! sempre!

26 de janeiro de 2010

UFMG lá vou eu

eeee!
Fui aprovada no curso de Letras da UFMG!
eeee!

A primeira conquista de 2010...

14 de janeiro de 2010

Avatar


Bem, vou relatar minha relação com o 3D. Há muito tempo que venho ouvindo falar sobre filmes em 3D e nunca tinha tido vontade de saber como era, tinha até uma certa resistência, porque esses filmes costumam ter uma grande produção e eu prefiro os filmes lado B. Mas essa semana resolvi assistir Avatar em 3D, para ver como era e eis a surpresa! Saí de lá como uma criança quando vai a primeira vez ao cinema, assistir a história de seu herói favorito. É muito legal o filme. Um enredo nada de novo, mas me envolveu e de fato o 3D faz nos sentirmos dentro do filme. Estou agora na expectativa da minha obra "infantil" de cabeceira em 3D, dirigida pelo estonteante Tim Burton - Alice no país das maravilhas - imaginem só, cair no buraco com ela? vai ser demais!


Verão Arte Contemporânea

O melhor evento de arte contemporânea da cidade. Música, teatro, literatura, dança, artes visuais, gastronomia, moda e cinema em um único lugar.
Verão Arte Contemporânea 2010.
Entre!
http://www.veraoarte.com.br/


12 de janeiro de 2010

No meu lugar



É assim que estou me sentindo hoje. No meu lugar.

11 de janeiro de 2010

Um pouquinho de Neruda



É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda